FREI ORLANDO: Alunos e professores de Itambé cobram melhorias em escola


O prédio é amplo, com quase duas dezenas de salas. A área que fica no entorno chama a atenção pela grandeza. Há dois laboratórios, mas que não são usados. Uma quadra coberta e sem problemas no piso é desejada pelos alunos. Tem vez que o calor é tão grande que ninguém se concentra durante as aulas. Essa é a Escola de Referência em Ensino Médio Frei Orlando, localizada em Itambé, na Zona da Mata pernambucana, onde o professor Jayse Ferreira leciona artes para 445 adolescentes. Um dos 50 finalistas do Prêmio Global Teacher Prize 2019, uma espécie do ‘Nobel da Educação’, o docente e outros 25 colegas da unidade de ensino mostram que mesmo sem infraestrutura física adequada é possível instigar os estudantes, fazê-los aprender e mostrar bons resultados.

“Somos um time de professores e de alunos muito bons. Mas a sensação é de que estamos jogando numa várzea, em vez de estarmos num campo profissional”, compara o professor de inglês Eliezer Farias. “Mesmo sem coisas básicas, conseguimos nos destacar em várias áreas. Nossa escola, por exemplo, é bicampeã, no Estado, em número de alunos participantes do programa de intercâmbio Ganhe o Mundo”, observa Eliezer. Este ano 23 estudantes viajaram para estudar um semestre fora do Brasil, custeados pelo governo estadual. Ano passado foram 15.


Gestora da escola, Vânia Batista ressalta a dedicação do corpo docente. “São professores que abraçam a causa da educação, têm muito amor pelo que fazem. Acabam atingindo os alunos, pois há um sentimento de pertencimento à escola muito forte”, diz Vânia, que vive o dia a dia da Frei Orlando há 32 anos. Era professora, depois coordenadora e agora está como diretora.

CALOR 

O calor nas salas é queixa recorrente. “Onde não tem ar condicionado é muito quente”, afirma Elza Silva, 17 anos, aluna do 2º ano. “Minha sala é a pior de todas. Às 11h não consigo mais dar aula. À tarde fica ainda pior. É muito estressante essa rotina. São três ventiladores, mas apenas um funciona”, atesta a professora de biologia Jamylle Barcellos. As aulas práticas, conta ela, são realizadas na sala e não no laboratório.

“Não há condições de segurança no laboratório, embora ele tenha sido reformado em 2017. Não dispomos de água, vidraria e insumos para os experimentos. Uso um microscópio que consertei com meu dinheiro”, explica a professora. “Só lembro de ter ido duas vezes, ano passado, no laboratório. Este ano nenhuma”, comenta Maria Vitória Ferreira, 16, também do 2º ano.

A quadra está com piso irregular e mato. O professor de educação física Dimas Belmonte improvisa uma tabela de basquete com pedaço de madeira. Compra bola com recurso próprio. “O modelo integral é bom, mas a estrutura das escolas não acompanha. Não deixo de dar minhas aulas, mas as condições não são adequadas”, ressalta. Investimento nos banheiros – alguns sem porta, com descarga quebrada e chuveiro sem funcionar – também está na lista de pedidos dos estudantes, que ficam na escola das 7h30 às 17h. Refeitório e auditório completam o pleito.

REPAROS 

A Secretaria de Educação de Pernambuco informa que uma nova quadra será construída a partir de fevereiro, no início do ano letivo. A obra já foi licitada. Laboratórios e biblioteca serão climatizados em janeiro, enquanto as salas que não têm ar condicionado (são nove) ganharão ao longo de 2019. Previsão de que insumos e equipamentos para os laboratórios cheguem também quando começarem as aulas.



Jornal do Commercio


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